sexta-feira, 27 de maio de 2011

O mito da neutralidade axiológica

Post referente a aula do dia 23/05/2011

            É difícil nos colocarmos e nos enxergarmos nas coisas, principalmente quando falamos enquanto representantes da academia, afinal estamos marcados pela lógica da ciência positivista, que prega aos quatro cantos o ideal de neutralidade axiológica. Mas como separar o homem da humanidade?
            Assim, propor as pessoas, especialmente no que concerne a produção acadêmica, a exporem sentimentos e idéias é uma tarefa complicada, pois passamos todos os anos do curso superior nos escondendo atrás das normas da ABNT e suas distintas formas de citação e utilizando de uma escrita formal. Claro que isso organiza e valida a produção de saber, mas também faz dela algo insuportavelmente impessoal.
            Entrei nesse papo e nem sei bem porque, na verdade acho que a tentativa de possibilitar que as pessoas falassem de suas vivências na aula desse dia me levou a pensar no quanto tentamos, na psicologia, desconstruir um pouco esse ideal de neutralidade (que acredito ser inalcançável) e boicotar essa concepção de que analisar fenômenos de forma artificial é o caminho para se atingir o verdadeiro conhecimento. Afinal, retirar o fenômeno do seu contexto, ignorar a interação do pesquisador/interventor/profissional com o que se busca compreender é tratar a realidade como se estivesse em um tubo de ensaio, impedindo que ela seja, pois são as contradições e as relações que a faz como ela é (sempre caio nesse papo de fenomenologia ¬¬’). E com isso, fico feliz com a proposta de fazer este diário, afinal é um meio de romper com a forma instituída de produzir saber.

            Aff...sem idéias para esse texto.

Tinha pensado em falar de um filme que vi recentemente, “The Elephant Man” [1980] do diretor David Lynch, e tentar discutir um pouco sobre a complexa e tênue linha entre assistencialismo e a promoção da cidadania e da dignidade, partindo do texto “A casa de inverno” que foi base desta aula. Porém, achei que seria reduzir esse grande filme a uma única temática que lhe é emergente e obrigá-lo a servir um propósito muito menor do que ele se presta na verdade. E acho ainda que meu amigo Breno não aguentaria mais um só comentário meu sobre esse filme... :P
Mas fica uma boa dica de filme realista do diretor mais surrealista de todo os tempos.


Texto citado - “A Casa de Inverno: notas para a desinstitucionalização da assistência social” [Antonio Lancetti]

Post feito ao som de Andrew Bird - Armchair Apocrypha [2007]


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