domingo, 22 de maio de 2011

Do analisador (não) construído a minha confusão com o que foi dito


Post referente a aula do dia 16/05/2011


Esta era a aula que inaugurava a participação dos grupos na construção de um analisador para trabalhar um texto com a turma. O pessoal responsável criou uma dinâmica interessante e até divertida, na qual exercitávamos o que sabíamos do texto, e claro aprendíamos com o que os colegas sabiam. Assim, descobri que não entendi exatamente o conceito de analisador construído, afinal as críticas direcionadas a dinâmica não fizeram sentido para mim.
Contudo, concordo que a postura de apresentação do texto tomada pelo grupo posteriormente não saiu do comum, e assim como dito por um dos colegas (não me recordo quem), nossa postura de ouvintes também não teve nada de diferente do que tem sido nosso habitual em algumas aulas. Porém, discordo da afirmação de que temos um “pacto de silêncio” para ‘proteger’ os grupos que estão conduzindo um trabalho, afinal até recentemente nossa sala era muito participativa, fazíamos bastantes comentários e perguntas (não sei por que a maioria concordou com essa argumentação de pacto O.O), sendo que a postura participativa ainda sobrevive em algumas aulas.
Fiquei frustrada com essa aula, uma das poucas que não pensei em algo fora do contexto da sala, bem como não entendi ao certo as discussões levantadas e algumas opiniões expressas. Estava no embalo do diário/blog e de repente não entendi o que estava acontecendo, não distingui elementos para abordar aqui, bem como não sei se vale a pena publicar alguma opinião sobre o ocorrido, afinal não alcancei o sentido de toda a “confusão”.
            Em tempo: Horas depois de ter escrito o comentário acima, pensei: Acho que a crítica a postura da sala na referida aula, a qual já disse que não concordo ser o habitual da sala, rendeu uma discussão que remete a postura de manutenção do que estava instituído, neste caso, a concepção de que não se deve criticar algo feito pelo outro, sendo o silêncio tomado como algo negativo, não conduzindo a sala a uma transformação do lugar do aluno e do professor e reproduzindo ainda uma antiga lógica da educação, a da escuta passiva. Este último aspecto me lembrou um dos filmes que mais assisti na adolescência, o clássico “A sociedade dos poetas mortos”.
            O filme mostra uma escola sustentada no modelo clássico, rígida em suas normas e concepções, não podendo o professor aplicar nossas formas de lecionar, e nem aos alunos contribuírem subjetivamente com as aulas. Contudo, a entrada de um novo professor, interpretado por Robin Williams, que foge a essa regra, marca um grande momento, pois ele busca fornecer espaço e ferramentas para que seus alunos sejam mais autônomos, impliquem com suas existências e consigam construir seu próprio conhecimento, não reduzindo os saberes a simples fórmulas e nem relegando a vida a vontade dos outros.
            Neste filme vemos claramente alguns dos conceitos até hoje abordado, sendo eles: instituído, instituínte, atravessamento e transversalidade. O professor surge com uma nova proposta de ensinar, identifica os alunos envoltos na idéia de mudança e se junta a eles. Vemos jovens que começam a adotar posturas distintas, que questionam, e isso ao mesmo tempo em que presenciamos a contra partida da escola, que quer a queda do revolucionário professor e o movimento dos pais que também são contrários as mudanças.
            Não sei bem que caminho tomou a discussão da sala, e se o que escrevi faz algum sentido, mas agradeço por me fazer rever esse filme, os tempos mudam, mas ele ainda tem seu valor. E agradeço a Camila Teodoro por me recordar do nosso professor Denílson, que era uma mente inovadora em meio ao marasmo da escola pública.











Título: Dead Poets Society
Diretor: Peter Weir
Elenco: Robin Willians, Ethan Hawke, Sean Leonard e Josh Charles.
Ano: 1989
País: EUA



 #Carpe Diem#


Na mesma proposta...

Filme Sugerido: Entre les Murs [2007] Diretor: Laurent Cantet [cansativo, mas interessante para pensar nas relações de poder na sala de aula, bem como a decadência do modelo clássico de educação]

 
Músicas sugeridas: Say – John Mayer / No Such Things – John Mayer


Post feito ao som de DeVotchKa -  Una Volta [2003]



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