Post referente a aula do dia 17/05/2011
Numa aula em que uma das temáticas foi a ética, diferenciando esta da idéia de moral, tentando pensá-la enquanto um ponto de escolha do sujeito diante das contradições e nuances da vida, e onde as normas e valores instituídos não são páreos para os imprevistos e singularidades da nossa frágil existência, o filme “Menina de Ouro” vem como uma ótima película para se pensar sobre a postura do ser diante dos conflitos da vida, e no caso específico do filme uma questão que tem sido abordada com certa freqüência: a eutanásia. Vale ressaltar que pensei neste filme após a professora utilizar como exemplo uma passagem do filme Gran Torino [2008] também dirigido por Clint Eastwood.
“Menina de ouro” é um drama estadunidense que conta a história de uma jovem (Hilary Swank) que possui um grande talento para o boxe, talento que ainda não foi lapidado, conseguindo, depois de muita insistência, que um famoso treinador (Clint Eastwood) a ajude. Este, que possui uma relação muito conturbada com a própria filha, vive isolado, e ao iniciar seu trabalho com a jovem boxeadora desenvolve uma relação marcada por um lado afetivo paternal, criando laços familiares com a mesma, uma vez que ela também vinha de uma relação familiar complicada, até mesmo repulsiva.
Trata-se de uma obra sensível, com grandes atuações e mais uma maravilhosa direção de Eastwood, que já contava com mais de 24 trabalhos em sua carreira no trabalho atrás das câmeras. E este filme, chegando ao seu ápice com o final surpreendente que tem, é de onde retiro a seguinte passagem para pensar a ética.
Após várias grandes lutas e vitórias, marcadas pela superação de vários paradigmas, a boxeadora sofre um acidente no ringue que a deixa tetraplégica, não encontrando mais sentido em sua existência e tentando de todas as formas cometer suicídio. Porém, diante da dificuldade na execução de tal escolha, ela solicita a seu amigo e treinador que lhe ajude em sua decisão, colocando-o em um grande impasse, afinal além dos sentimentos paternais pela jovem, o ato de tirar a vida de outrem é prática ilegal, sustentada por várias normas sociais. Assim, vemos um personagem a mercê das intempéries da vida, e para qual a normas estabelecidas socialmente não oferecem suportes. O treinador está diante de um impasse, pois ao preservar a vida da jovem que tanto estima, respeitando ainda a norma estabelecida, a mantém viva e infeliz contra sua vontade, ou pode ainda satisfazer o desejo da jovem, se separando enfim dela. Trata-se de uma delicada decisão, na qual o personagem se vê desamparado, remetendo a uma escolha do próprio sujeito, uma escolha ética, uma vez que está é a postura do sujeito diante do que é instituído.
Obs: Não cabe aqui apontar a escolha feita pelo personagem, merecendo a surpresa que o filme oferece.
Título: Million Dollar Baby
Elenco: Clint Eastwood, Hilary Swank e Morgan Freeman
País: EUA
Ano: 2004
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Curta metragem sugerido: “A ética” dirigido pelo crítico de cinema Pablo Villaça
[Acredito que a temática do curta gire mais em torno do que é denominado de moral, afinal o assassino segue um código rígido de trabalho e princípios, mas vale a pena assistir pelo caráter independente da obra e pela forma como a trama se desenrola]
Post feito ao som de Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am,That's What I'm Not[2006]

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