Agora que o blog se “libertou” de sua obrigação acadêmica e como ele é um espaço para falar das coisas que eu gosto, ou sobre coisas que penso, hoje quis abordar um assunto que aparentemente foge, e muito, ao que o blog apresentou até agora, mas como eu disse: É um espaço destinado aos meus gostos pessoais.
Assim, uma das poucas coisas, e talvez a única, que compartilho da cultura brasileira de massa, é o futebol. Sou apaixonada por futebol, vejo até jogos da série c do brasileiro, tanto que ano passado torci muito para o BOA, e agora que ele está na segundona, espero que ele se mantenha firme, e quem sabe chegue a 1º divisão, ajudando a fortalecer o futebol mineiro.
A paixão pelo futebol é coisa de família e a minha é toda alvinegra. Somos todos componentes da massa atleticana. Meu avô, já finado, juntava todos os seus netos e nos levava para os jogos e até mesmo para os treinos. Presenteava a todos com camisas oficiais do Galo. Contava-nos histórias sobre os jogadores ídolos do time, sobre momentos marcantes do clube e sobre nossa maior marca ser a raça com que jogávamos, e por isso sermos associados a um Galo carijó de briga, que era tido como imbatível nas (infelizmente) muito freqüentes rinhas realizadas em Belo Horizonte na década de 30.
Essa raça, que rendeu ao time um mascote que exprime com perfeição o perfil do Clube e da sua grande torcida, não está presente no atual elenco. Em verdade, ela vem faltando já há algumas temporadas. Jogadores que ganham salários exorbitantes, que possuem espaço de treinamento de imensa qualidade, condições de trabalho inquestionáveis e uma torcida... uma torcida que carrega com orgulho mais de 100 anos de história e que de tanto proclamar o “amor incondicional”, está virando chacota. Somos chamados de iludidos, não somente por nossos rivais (vulgo marias), mas pelas torcidas em quase todo território nacional. E, nós, torcedores “ilustres”, e que são o alicerce do Galo - como meu avô foi - vamos seguindo vendo a desonra que assombra nossa casa.
Porém, as ofensas e brincadeiras entre torcidas não incomodam, fazem parte do futebol (desde que não incluam violência). O que constitui o peso das últimas derrotas humilhantes (duas goleadas, sendo uma em casa, e um jogo deprimente contra o Ceará), é ver que os que muito têm a fazer pelo clube, pouco se movimentam e pouco se importam. Jogadores apáticos, abatidos, assustados, perdidos em campo em nada se parecem com imponentes Galos carijós de briga.
Muitos estão falando que se trata de mais um boicote ao treinador, o que somaria o terceiro em menos de um ano (o segundo ao Dorival e teve ainda o contra o Luxemburgo). No caso de isso ser positivo, maior tristeza me causa. Eles não jogam para um técnico ou para um presidente, mas para uma torcida. Torcida não, mas para a Massa Atleticana. Ainda confirmo o que disse por esses dias para algumas pessoas: entre falta de talento/amadorismo e mau-caratismo, eu fico (e prefiro que seja) com o primeiro. Neste sentido, ainda continuo achando que temos é um elenco fraco, que foi montado fazendo cena de campeõs mundiais. Alguns foram fantasiados de melhores do mundo e outros foram declarados grandes revelações cedo demais. Não conseguem ser organizados em campo de forma eficiente, estão perdidos, mas o treinador também, a diretoria também...
E assim seguimos... num lugar que não nós pertence, representados por uma recente imagem e construindo uma reputação que não condizem com a grandiosidade da nossa história.
Por fim, ao escrever esse texto, em um momento de tristezas atuais e saudosas lembranças, recordei de um dos acontecimentos que sempre amei sobre o Galo e que é contato até hoje por meu pai (que é um grande fã dos uruguaios que passaram pelo nosso Clube, talvez em uma pálida tentativa de reacender essa raça que coroava nosso time).
Na década de 80, nosso rival tinha um time bom, e rondava (nas malocas rsrs) o comentário que era superior ao nosso. Nesse período nosso zagueiro uruguaio Olivera (que se consagrou campeão mineiro como jogador e depois repetiu o feito sendo técnico) pede a palavra na roda de conversa que se formou antes da partida contra o cruzeiro, conversa essa que foi reproduzida posteriormente em todas as mídias da época. Assim, o defensor começa com seu sotaque estrangeiro: - “Hoje a partida será muito difícil, e nós não podemos sair daqui derrotados, mas somente vitoriosos”.
Diz mais alguma coisa sobre a importância de vencer e termina: - “Então, quem sabe jogar, joga. Quem não sabe, sua a camisa”.
E esse foi o time que entrou em campo, e apesar de muitos (“desentendedores” de futebol) apostarem na derrota, eles saíram vitoriosos, em mais uma demonstração da raça e do amor com que jogava, e com que deve jogar, o Galo Forte e Vingador.
É mito, futebol não combina com pagode ...
Post feito ao som de Pantera- Far Beyond Driven [1994]





