quinta-feira, 7 de julho de 2011

Texto futebolístico cartártico: #QueromeuGalodevolta


Agora que o blog se “libertou” de sua obrigação acadêmica e como ele é um espaço para falar das coisas que eu gosto, ou sobre coisas que penso, hoje quis abordar um assunto que aparentemente foge, e muito, ao que o blog apresentou até agora, mas como eu disse: É um espaço destinado aos meus gostos pessoais.
            Assim, uma das poucas coisas, e talvez a única, que compartilho da cultura brasileira de massa, é o futebol. Sou apaixonada por futebol, vejo até jogos da série c do brasileiro, tanto que ano passado torci muito para o BOA, e agora que ele está na segundona, espero que ele se mantenha firme, e quem sabe chegue a 1º divisão, ajudando a fortalecer o futebol mineiro.
            A paixão pelo futebol é coisa de família e a minha é toda alvinegra. Somos todos componentes da massa atleticana. Meu avô, já finado, juntava todos os seus netos e nos levava para os jogos e até mesmo para os treinos. Presenteava a todos com camisas oficiais do Galo. Contava-nos histórias sobre os jogadores ídolos do time, sobre momentos marcantes do clube e sobre nossa maior marca ser a raça com que jogávamos, e por isso sermos associados a um Galo carijó de briga, que era tido como imbatível nas (infelizmente) muito freqüentes rinhas realizadas em Belo Horizonte na década de 30.
Essa raça, que rendeu ao time um mascote que exprime com perfeição o perfil do Clube e da sua grande torcida, não está presente no atual elenco. Em verdade, ela vem faltando já há algumas temporadas. Jogadores que ganham salários exorbitantes, que possuem espaço de treinamento de imensa qualidade, condições de trabalho inquestionáveis e uma torcida... uma torcida que carrega com orgulho mais de 100 anos de história e que de tanto proclamar o “amor incondicional”, está virando chacota. Somos chamados de iludidos, não somente por nossos rivais (vulgo marias), mas pelas torcidas em quase todo território nacional. E, nós, torcedores “ilustres”, e que são o alicerce do Galo - como meu avô foi - vamos seguindo vendo a desonra que assombra nossa casa.
            Porém, as ofensas e brincadeiras entre torcidas não incomodam, fazem parte do futebol (desde que não incluam violência). O que constitui o peso das últimas derrotas humilhantes (duas goleadas, sendo uma em casa, e um jogo deprimente contra o Ceará), é ver que os que muito têm a fazer pelo clube, pouco se movimentam e pouco se importam. Jogadores apáticos, abatidos, assustados, perdidos em campo em nada se parecem com imponentes Galos carijós de briga.
            Muitos estão falando que se trata de mais um boicote ao treinador, o que somaria o terceiro em menos de um ano (o segundo ao Dorival e teve ainda o contra o Luxemburgo). No caso de isso ser positivo, maior tristeza me causa. Eles não jogam para um técnico ou para um presidente, mas para uma torcida. Torcida não, mas para a Massa Atleticana. Ainda confirmo o que disse por esses dias para algumas pessoas: entre falta de talento/amadorismo e mau-caratismo, eu fico (e prefiro que seja) com o primeiro. Neste sentido, ainda continuo achando que temos é um elenco fraco, que foi montado fazendo cena de campeõs mundiais. Alguns foram fantasiados de melhores do mundo e outros foram declarados grandes revelações cedo demais. Não conseguem ser organizados em campo de forma eficiente, estão perdidos, mas o treinador também, a diretoria também...
E assim seguimos... num lugar que não nós pertence, representados por uma recente imagem e construindo uma reputação que não condizem com a grandiosidade da nossa história.
Por fim, ao escrever esse texto, em um momento de tristezas atuais e saudosas lembranças, recordei de um dos acontecimentos que sempre amei sobre o Galo e que é contato até hoje por meu pai (que é um grande fã dos uruguaios que passaram pelo nosso Clube, talvez em uma pálida tentativa de reacender essa raça que coroava nosso time).
Na década de 80, nosso rival tinha um time bom, e rondava (nas malocas rsrs) o comentário que era superior ao nosso. Nesse período nosso zagueiro uruguaio Olivera (que se consagrou campeão mineiro como jogador e depois repetiu o feito sendo técnico) pede a palavra na roda de conversa que se formou antes da partida contra o cruzeiro, conversa essa que foi reproduzida posteriormente em todas as mídias da época. Assim, o defensor começa com seu sotaque estrangeiro: - “Hoje a partida será muito difícil, e nós não podemos sair daqui derrotados, mas somente vitoriosos”.
Diz mais alguma coisa sobre a importância de vencer e termina: - “Então, quem sabe jogar, joga. Quem não sabe, sua a camisa”.
E esse foi o time que entrou em campo, e apesar de muitos (“desentendedores” de futebol) apostarem na derrota, eles saíram vitoriosos, em mais uma demonstração da raça e do amor com que jogava, e com que deve jogar, o Galo Forte e Vingador.



É mito, futebol não combina com pagode ...
Post feito ao som de Pantera- Far Beyond Driven [1994]




quarta-feira, 15 de junho de 2011

Rumo a UBA!!! Nha… ^^




Estava sem idéias para repassar o link do blog para a professora e eis que surge aquele ser que sempre nos salva das situações, das mais simples as mais complicadas, resolvendo tudo em questão de segundos, e que levam o nome de amigo. Assim, Gi... obrigada pelo “cartão de seqüestro”  rsrs
Adorei!!!




E para não perder o costume...

Post feito ao som de Marvin Gaye - Let's Get It On [1973]


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Cinema e (minhas) Experiências Estéticas


Post referente a aula do dia 06/06/2011


            Na última aula que compõe o cronograma obrigatório do diário de bordo, o tema abordado foi a concepção de estética. Há dias circundávamos esse tema, em verdade desde o dia da exibição do filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain’, mas ainda não tinha sido tratado de forma clara. Porém, apesar da demora e do pouco entendimento, já o elegi como sendo a novidade mais fascinante da disciplina (a idéia de “utopia ativa” perdeu seu posto rsrsrs). Bom, isso se deve 1º a noção de que estética, diferentemente da noção do senso comum, não se referi a um padrão de beleza, mas em verdade, remete a concepção de uma experiência singular que conduz a produção de algo novo e que, consequentemente, promove um embelezamento da vida. 
Logo...Tem como não gostar de algo tão poético e tão visceral?!?!?! ^^
            Neste sentido, e conforme afirmado pela Prof. Maria Luiza (quem espero que esteja lendo tudo isso aqui ¬¬’), a arte pode proporcionar uma experiência estética, afinal amplia as possibilidades de pensar o mundo. E, é pensando nisto que fiz uma lista com alguns dos filmes (ia incluir músicas e livros, mas o prazo não me ajuda) que considero terem me proporcionado essa experiência, e que na época não soube definir, mas agora as denomino de “experiências estéticas”.
Os itens que seguem na lista não se encontram em ordem de preferência (tenho dificuldades em decidir isso), mas representam obras que assim que as vi/ouvi me causaram tamanho impacto e me proporcionaram boas horas de insônia, nas quais as revi/reouvi, bem como boas interrogações quanto ao meu modo de pensar e de agir.
Bom, fica difícil comentar detalhadamente, 1º porque enrolei até o último minuto, como de costume, e porque não quero nada enfadonho demais. Então vou fazer ao estilo moovee.me* e vou tentar em pouco caracteres dizer da obra.


  
 
Taxi Driver – Filme crítico, ataca a violência urbana pela figura de um taxista atormentado. Considero o melhor da dupla De Niro e Scorsese.


 

 Walking Life – Um filme sustentado em diálogos provocativos e filosóficos. Sempre sou atormentada pela frase: “Um amigo me disse uma vez que o maior erro que podemos cometer é achar que estamos vivos quando na verdade estamos dormindo na sala de espera da vida.”


 

 Det Sjunde Inseglet (O sétimo selo) – Questões metafísicas tratadas por Bergman de forma intensa e poética. Assisti-lo é obrigatório.



 


Dogville – A forma com que foi filmado rompe com vários paradigmas cinematográficos e o enredo, com seu caráter crítico, incomoda e induz a reflexão quanto a condição humana. Conta ainda com um final arrebatador.


 

 The Unbearable Lightness of Being -  Trata da fragilidade  e da efemeridade da vida de uma das formas mais bela que o cinema já conseguiu.




 
Este post encerra a sessão destinada ao diário de bordo, mas registro aqui a satisfação em fazer este trabalho, afinal o considerei a atividade mais interessante e envolvente que surgiu no curso nos últimos tempos.

*Site ao estilo twitter onde se "brinca" de crítico de cinema com no máximo 140 caracteres http://moovee.me/user/Kellara
**Citaria ainda o filme The Edukatores, mas ele já aparece em um dos posts.


Post feito ao som e a imagem do DVD Where the Light Is - John Mayer Live in Los Angeles[2008]


  

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Professora Durden


Post referente a aula do dia 31/05/2011
           
            Em meio às aulas de “psicologias” sempre me lembro de uma cena de filme, um trecho de música ou algo assim. E neste dia em questão não foi diferente, porém foi de uma forma mais inusitada.
Assim, quando alguns alunos questionavam as ações da personagem Amélie Poulain (sim, ainda falávamos deste filme* rsrs), pontuando que muitas não continham um caráter moral, sustentando esse argumento em uma concepção burguesa forjada em meio ao capitalismo e que remete a idéia de bem privad. A professora - M. Luiza - se posicionou de modo a defender a ética da personagem em um rompante que classifiquei como pertencente a Tyler Durden, afinal a proposta dela era bem subversiva, quase ao estilo de explodir o apartamento de alguém, ignorando a noção de bem privado (e as leis que regem essa lógica), para que essa pessoa tenha um despertar e se posicione contra uma existência consumista e superficial, repudiando o melhor estilo Revista “Caras”. No caso da aula a professora tentou nos conduzir a contemplação das ações de Amélie no seu sentido mais positivo.
 Não digo que isso é ruim, ao contrário, acho o personagem um dos mais “foda” que o cinema americano já conseguiu projetar, e o lugar de professor deve ser o de provocador.

Estou demorando muito para construir os textos, ando sem criatividade para o diário, e o pouco que escrevo não tenho tido coragem de postar.
Será que tenho realmente entendido as aulas? :$


*Discussões de filmes sempre me causam grande expectativa e talvez por isso sempre fico frustrada, aconteceu recentemente em um cinema comentado, cujo filme era Black Swan [2010] e se repetiu em Amélie Poulain.

** Tyler Durden é um personagem, interpretado por Brad Pitt, e pertencente ao longa-metragem estadunidense Fight Club, dirigido por  David Fincher e lançado em 1999.


Post feito ao som de Queens Of The Stone Age - Songs For The Deaf [2002] 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Les temps sont durs pour les rêveurs


Post referente a aula do dia 30/05/2011

            A aula consistiu na exibição de um filme, então acho que aqui cabe somente um comentário sobre o mesmo (comentário similar ao entregue a professora como atividade avaliativa). Até porque essa última semana um desanimo se apoderou de mim de tal forma que até esta atividade, que elegi a mais interessante do semestre, não consegue me mobilizar, tanto que estou com o post muito atrasado.
“O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” é um filme frances dirigido por Jean-Pierre Jeunet, tendo sido realizado em 2001 e conta em seu elenco com Andrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Rufus e Yolande Moreau.
O filme é uma experiência deliciosa, afinal conta com uma fotografia impecável, uma bela trilha sonora e uma narração em off muito inusitada, que se juntam para apresentar uma personagem que se ocupa em perceber o sentido em tudo, até no que aparenta pouca vitalidade e que nos guia em direção aos pormenores da vida com uma intensidade arrebatadora. Amélie é uma mulher, que apesar da infância solitária, cresceu desenvolvendo um grande senso de empatia, tendo uma visão de vida marcada por uma adorável delicadeza e até certa ingenuidade, agindo sobre a mesma de forma romanceada. Assim, segue promovendo bem intencionadas intromissões na vida dos outros (o que repercute em questões referentes a condição moral de tais atos), mas permanecendo indiferente quanto ao vazio da sua própria existência. Esse ponto surge em um diálogo entre a protagonista e o personagem conhecido como “homem de vidro”, quando estes conversam sobre os personagens do quadro que ele está pintando:
[...]
- Sabe a garota do copo de água?
- Sei.
- Parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?"
[...]
            Deste modo, contemplamos Amélie caminhando ruma a compreensão de que o contentamento da vida se encontra, e se sustenta em principal, nas pequenas coisas que compõem o dia a dia, e em especial na forma que lidamos com esses acontecimentos “banais”. Assim, são essas preferências sutis que nos definem e revelam quem somos*. E é por isso que “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” é um filme que cuida do encanto cotidiana da vida. É, portanto, um filme adorável em vários sentidos.

Em tempo: Quando ia finalizar o post lembrei-me, graças a uma música do Gary Jules, de uma frase do filme, que quando o vi da primeira vez há uns 4 anos, achei fascinante. No filme uma personagem sem muita expressão diz para Amélie: “São tempos difíceis para os sonhadores”(Les temps sont durs pour les rêveurs). E de fato... são tempos difíceis para os que sonham, para os que estranham as demandas sociais e do mercado, para os que não se rendem ao hits das rádios, para os que não se entretêm com a grade de novelas, para quem não busca desesperadamente o sentido prático da vida.


*O apreço que o longa-metragem sugere ao que parece insignificante me lembrou ainda a cena clássica de um saco plástico “dançando” ao dispor do vento no filme “Beleza Americana” (American Beauty-1999), no qual um personagem gravou vários minutos desse acontecimento o considerando de uma beleza imensurável.

Título: Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain
Diretor:  Jean-Pierre Jeunet
Elenco: Andrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Rufus e Yolande Moreau.
País: França
Ano: 2001
 
Gary Jules – Mad World [compõe a soundtrack de um dos meus filmes preferidos “Donnie Darko”]

Post feito ao som de Dream Theater - A Change Of Seasons [1995]

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A angústia forma o discípulo da possibilidade e prepara o cavaleiro da fé

Post referente a aula do dia 24/05/2011

            Acredito que um dos lugares que mais faz apologia ao sentimento de angústia e de dúvida é a psicologia e em especial quando estamos diante dos psicólogos fenomenológicos existencialistas. Infelizmente, essa não é uma vertente teórica muito contemplada no curso da PUC – Betim, digo isso no sentido de ter um maior número de disciplinas, porque no quesito profissionais ela está muito bem representada. Todavia, com o pouco que tive contato serviu para eu me apaixonar por essa perspectiva epistemológica.
Continuando... pensei na fenomenologia existencial por encontrar no decorrer das aulas de Institucional uma semelhança muito grande entre as idéias de Heidegger, e de outros autores que ajudam a sustentar essa corrente de pensamento, e dos pressupostos levantados pelos institucionalistas. Seja quando eles propõem a angústia da dúvida como algo positivo, ou quando a esquizoanálise fala do “não atrapalhar o devir”, lembrando em muito um dos princípios da fenomenologia, a concepção de Epokê, isto é, a suspensão de juízos permitindo que o fenômeno se revele tal como ele é. Contudo, acho graça em uma coisa: de três pessoas falando sobre esquizoanálise que vi serem confrontadas com a idéia de que esse saber tem muito da fenomenologia existencial, todas elas se mostraram hostis e não concordaram. Mas que Heidegger falou primeiro, ele falou... ^^
E em clima de dúvida, angústia, certeza da finitude e da fragilidade do ser, revirei tudo no meu quarto atrás de um texto passado pela incrível prof. Lizandre e que vale muito ser lido.


Pensar a Vida, Saltar o abismo

Todos nós já sentimos essa dor de ser e, vez ou outra, com uma intensidade quase insuportável. Sentimo-nos estrangeiros em nossa própria vida. Sentimo-nos em dívida com nós mesmos. Um vazio nos invade. Nossa existência perdeu o significado. Não sabemos mais quem somos nem quem podemos ser. Queremos que alguém nos explique o viver! Que alguém nos explique quem somos e a que viemos!...
A dor de ser faz parte da nossa natureza. Não agüentarmos apenas ser, temos que ser nós mesmos . Não queremos repetir ninguém nem que ninguém nos copie. Também não nos basta que os outros aprovem nossa vida. É preciso que ela faça sentido para nós mesmos.
Essa dor sentida é, no entanto, apenas uma face da moeda, a outra, que mal reparamos, é a de uma bem-aventurança. Se podemos sentir a dor de nos ter perdido de nós mesmos, é porque temos o poder de nos encontrar novamente.
O que nos angustia e deixa aturdidos nessa história, é que para esse indivíduo exclusivo que somos e para o sentido pessoal de nossas vidas, não há nenhuma referência possível.. Os modelos culturais e os outros com quem convivemos podem nos inspirar, mas apenas isto. O resto é conosco. Temos que ser ao mesmo tempo os autores, os atores e os juizes de nosso próprio existir.
A certeza de que morreremos, mas sem saber quando, é o que muitas vezes nos empurra para essa tarefa sem referências de tomarmos nas mãos o nosso destino, a nossa história exclusiva e de emprestarmos para a vida a nossa própria cara. Temos pouco tempo.
E tudo é risco, é aposta. É passo sobre o abismo. Que exige coragem. E preparação.
Esta preparação é tarefa do pensar, da reflexão. O que a filosofia pode fazer conosco é isto: ensinar-nos a pensar. E conhecer esse “segredo” já é meio caminho andado.
Pensar, ou refletir, não é perder-se em elucubrações, análises, cálculos, infindáveis relações. Ao contrário, é estancar esse tráfego incessante de palavras e idéias em que nos atolamos e penetrar naquilo que ainda é invisível e desconhecido para nós, trazendo-o para a luz. Pensar começa por parar (o tráfego de idéias) para pensar .
Quando paramos para pensar, podemos nos observar e flagrar quais medos, fantasias, crenças, preconceitos nos têm influenciado. Flagrando-os, nós interrompemos o seu fluxo e o domínio que vinham tendo sobre nós. Eles emudecem. Silenciam. E nós mesmos entramos em silêncio.
E é só quando ficamos silenciosos que começamos a nos ouvir. A ouvir a voz que vem lá das nossas profundezas, sábia, revelando o sentido de nossa vida, o caminho, o gesto necessário. Enchendo-nos de coragem para o passo sobre o abismo. Transformando a dor em bem-aventurança, em vontade, em decisão. Descobrindo nosso próprio poder. Preparando-nos para ir ao encalço de ser quem só nós mesmos podemos ser e de viver como só nós mesmos podemos viver

Dulce Critelli
Texto publicado na coluna “Outras Idéias”, Folha Equilíbrio,
“Folha de São Paulo”, de 10 de outubro de 2002


Neste dia me lembrei ainda de uma música, pertencente aquele que considero o maior músico da última década, que de forma versátil e criativa consegue fazer arte em meio a chatice e ao apelo visual glamuroso do pop norte americano.
John Mayer em seu álbum Continuum [2006] gravou uma música chamada Belief (convicção), e quando em sala todos diziam do medo em sair da faculdade e não saber o que fazer, de ter que responder de um lugar (profissão) marcado por uma representação social e de demais dúvidas que circundam nossas vidas, me agarrei na idéia que o citado músico esbraveja no refrão:

♫ “Nós nunca ganharemos do mundo
Nós nunca pararemos a guerra
Nós nunca superaremos isso
Se é pela convicção que estamos lutando” ♫

Exato, o que move o mundo são as dúvidas e não as certezas, em verdade, vemos as convicções provocarem as tragédias (vide o caso dos fundamentalistas, sejam eles religiosos, políticos ou cientistas). A música ainda nós diz mais:
A convicção é uma bela armadura
Mas ataca a mais pesada espada
É como socar debaixo d'água
Você nunca consegue bater em quem você está tentando [...]
Ah, todos acreditam
Em como eles acham que deveria ser
Ah, todos acreditam
E eles não vão com calma” ♫

E ao som desta música, diminuo meu desespero em ser, em fazer...

Na mesma proposta...



John Mayer – Belief 

Poema: E agora José - [Carlos Drummond

Compilação de textos da Dulce Critelli 

[Título do post oriundo da lembrança de uma aula do 4º período. Não sei a quem a frase pertence, mas a vejo sendo utilizada em textos que discutem a religião pelo viés fenomenológico existencial, sendo o termo “cavaleiro da fé” atribuído a Kierkegaard]



Post feito ao som de Beirut - Gulag Orkestar [2006]





O mito da neutralidade axiológica

Post referente a aula do dia 23/05/2011

            É difícil nos colocarmos e nos enxergarmos nas coisas, principalmente quando falamos enquanto representantes da academia, afinal estamos marcados pela lógica da ciência positivista, que prega aos quatro cantos o ideal de neutralidade axiológica. Mas como separar o homem da humanidade?
            Assim, propor as pessoas, especialmente no que concerne a produção acadêmica, a exporem sentimentos e idéias é uma tarefa complicada, pois passamos todos os anos do curso superior nos escondendo atrás das normas da ABNT e suas distintas formas de citação e utilizando de uma escrita formal. Claro que isso organiza e valida a produção de saber, mas também faz dela algo insuportavelmente impessoal.
            Entrei nesse papo e nem sei bem porque, na verdade acho que a tentativa de possibilitar que as pessoas falassem de suas vivências na aula desse dia me levou a pensar no quanto tentamos, na psicologia, desconstruir um pouco esse ideal de neutralidade (que acredito ser inalcançável) e boicotar essa concepção de que analisar fenômenos de forma artificial é o caminho para se atingir o verdadeiro conhecimento. Afinal, retirar o fenômeno do seu contexto, ignorar a interação do pesquisador/interventor/profissional com o que se busca compreender é tratar a realidade como se estivesse em um tubo de ensaio, impedindo que ela seja, pois são as contradições e as relações que a faz como ela é (sempre caio nesse papo de fenomenologia ¬¬’). E com isso, fico feliz com a proposta de fazer este diário, afinal é um meio de romper com a forma instituída de produzir saber.

            Aff...sem idéias para esse texto.

Tinha pensado em falar de um filme que vi recentemente, “The Elephant Man” [1980] do diretor David Lynch, e tentar discutir um pouco sobre a complexa e tênue linha entre assistencialismo e a promoção da cidadania e da dignidade, partindo do texto “A casa de inverno” que foi base desta aula. Porém, achei que seria reduzir esse grande filme a uma única temática que lhe é emergente e obrigá-lo a servir um propósito muito menor do que ele se presta na verdade. E acho ainda que meu amigo Breno não aguentaria mais um só comentário meu sobre esse filme... :P
Mas fica uma boa dica de filme realista do diretor mais surrealista de todo os tempos.


Texto citado - “A Casa de Inverno: notas para a desinstitucionalização da assistência social” [Antonio Lancetti]

Post feito ao som de Andrew Bird - Armchair Apocrypha [2007]