Post referente a aula do dia 30/05/2011
A aula consistiu na exibição de um filme, então acho que aqui cabe somente um comentário sobre o mesmo (comentário similar ao entregue a professora como atividade avaliativa). Até porque essa última semana um desanimo se apoderou de mim de tal forma que até esta atividade, que elegi a mais interessante do semestre, não consegue me mobilizar, tanto que estou com o post muito atrasado.
“O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” é um filme frances dirigido por Jean-Pierre Jeunet, tendo sido realizado em 2001 e conta em seu elenco com Andrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Rufus e Yolande Moreau.
O filme é uma experiência deliciosa, afinal conta com uma fotografia impecável, uma bela trilha sonora e uma narração em off muito inusitada, que se juntam para apresentar uma personagem que se ocupa em perceber o sentido em tudo, até no que aparenta pouca vitalidade e que nos guia em direção aos pormenores da vida com uma intensidade arrebatadora. Amélie é uma mulher, que apesar da infância solitária, cresceu desenvolvendo um grande senso de empatia, tendo uma visão de vida marcada por uma adorável delicadeza e até certa ingenuidade, agindo sobre a mesma de forma romanceada. Assim, segue promovendo bem intencionadas intromissões na vida dos outros (o que repercute em questões referentes a condição moral de tais atos), mas permanecendo indiferente quanto ao vazio da sua própria existência. Esse ponto surge em um diálogo entre a protagonista e o personagem conhecido como “homem de vidro”, quando estes conversam sobre os personagens do quadro que ele está pintando:
[...]
- Sabe a garota do copo de água?
- Sei.
- Parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?"
[...]
Deste modo, contemplamos Amélie caminhando ruma a compreensão de que o contentamento da vida se encontra, e se sustenta em principal, nas pequenas coisas que compõem o dia a dia, e em especial na forma que lidamos com esses acontecimentos “banais”. Assim, são essas preferências sutis que nos definem e revelam quem somos*. E é por isso que “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” é um filme que cuida do encanto cotidiana da vida. É, portanto, um filme adorável em vários sentidos.
Em tempo: Quando ia finalizar o post lembrei-me, graças a uma música do Gary Jules, de uma frase do filme, que quando o vi da primeira vez há uns 4 anos, achei fascinante. No filme uma personagem sem muita expressão diz para Amélie: “São tempos difíceis para os sonhadores”(Les temps sont durs pour les rêveurs). E de fato... são tempos difíceis para os que sonham, para os que estranham as demandas sociais e do mercado, para os que não se rendem ao hits das rádios, para os que não se entretêm com a grade de novelas, para quem não busca desesperadamente o sentido prático da vida.
*O apreço que o longa-metragem sugere ao que parece insignificante me lembrou ainda a cena clássica de um saco plástico “dançando” ao dispor do vento no filme “Beleza Americana” (American Beauty-1999), no qual um personagem gravou vários minutos desse acontecimento o considerando de uma beleza imensurável.
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Título: Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain Diretor: Jean-Pierre Jeunet |

Fabuloso! O filme e as observações...
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